Ricardo Galante

Testemunhos
Ricardo Galante

Ligação à AFID: Cliente e embaixador da AFID

O EMBAIXADOR. Ricardo Galante, 42 anos, aprendeu desde muito cedo que tinha de ser ele a enfrentar o mundo. Tem consciência de que nasceu diferente, mas ideias muito firmes quanto ao seu lugar na sociedade. “Precisamos de explicar aos outros que só temos algumas limitações físicas, nada mais”. Olhos nos olhos, avisa que gosta de falar sem rodeios e vai fazendo a sua pedagogia: “Não gosto de dizer ‘deficiência’. Gosto de dizer ‘limitação’, que é o que nós temos”.
Aos dois anos os pais encaminharam-no para o Centro de Paralisia Cerebral de Lisboa, que os ajudou a cuidá-lo e a prepará-lo para a vida: “Vinha todos os dias a casa. Fui melhorando, aprendendo. Ensinaram-me a ler, a escrever, a ser uma pessoa mais autónoma”. Esteve com a instituição até aos 22 anos. De lá trouxe lições que não esquece. “Nas aulas não se limitavam a dar-nos os programas do ensino. Diziam: ‘Não se deixem rebaixar. Têm que levar os outros a pensar corretamente”. Gosta de recordar a matéria dada, que fez dele um homem: “Eu, por exemplo, mudei uma aldeia. Quando comecei a ir passar férias para casa da minha avó, na Guarda, diziam-me: ‘Coitadinho, coitadinho, está numa cadeira de rodas’, mas eu respondia-lhes: ‘Não sou coitadinho nenhum. Sou igual a vocês’. E a partir daí passaram a ver-me de outra forma”.
Ricardo descobriu a AFID quando foi preciso encontrar um lugar onde pudesse pernoitar. Hoje diz que é a sua casa, embora mantenha laços apertados com a família. Mas já sem pais e avós, através da AFID construiu os fundamentos da sua vida adulta: “Fiz aqui amigos e preparei-me para desempenhar a atividade que me preenche há quase dez anos”. Praticou como telefonista e rececionista na instituição e depois conseguiu colocação numa escola das proximidades para exercer as mesmas funções. Gosta de ter essa rotina fora das paredes protetoras da fundação onde vive: “Não podemos estar sempre aqui, isolados do mundo. É bom sair, conviver com outras pessoas”.
Adora desporto e está no 12º lugar do ranking nacional de Boccia, a modalidade paralímpica que só lhe tem dado alegrias. Diz que encontrou na AFID as mesmas linhas orientadoras que tanto o inspiraram no Centro de Paralisia Cerebral de Lisboa. “Dão-me conforto material e humano, mas sobretudo força para encarar a vida com otimismo”. A AFID, por seu turno, encontrou nele um embaixador: “Dou a cara por todos. Sou o embaixador da porta aberta à diferença”, informa de peito cheio. Por isso participa regularmente em eventos da AFID e é um dos seus representantes para os media.
Para passar a mensagem que quer deixar bem expressa, coloca a voz: “Nós aqui somos uma família. Estamos sempre preocupados uns com os outros e queremos evoluir, chegar o mais longe possível”. Ele sabe como ninguém que o mundo precisa de ouvir palavras como estas para se reinventar.

[ 01 Mai 2019 ]
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