Rui Cunha

Testemunhos
Rui Cunha

Ex-deputado do PS, ex-secretário de Estado, por um fio.
Ligação à AFID: Curador

“Estive oito meses e meio internado, 70 dias em coma induzido. Prepararam a minha família para o pior, não davam nada por mim”.
“É impossível regressar disto sem que algo se tenha alterado dentro de nós. Eu pouco me preocupava com a saúde antes de ter passado por isto…”
Pouco se preocupava com a sua saúde, mas foi dela que se ocupou enquanto deputado e em boa parte como Secretário de Estado da Integração Social. Reconhecido como um humanista, não deixou esse crédito por mãos alheias. Viabilizou, em colaboração com a câmara e a Santa Casa da Misericórdia, a Rede Social de Lisboa, que ligou entre si estes três grandes pilares da área social da cidade, num modelo que viria a ser replicado a nível nacional. Bateu-se também pela preservação do Projeto de Apoio e Integração para Idosos, que esteve na raiz da criação dos serviços de apoio domiciliário. São duas marcas gigantes. Não precisaria de mais para que o seu nome ficasse para sempre ligado às políticas sociais mais estruturantes do país. Na AFID gravaram-no numa placa, em sinal de reconhecimento pelo apoio ao apetrechamento técnico da sua sede.
Sorri quando recorda a sua relação com esta IPSS enquanto governante: “Quando pensava que já tínhamos fechado negociações, lá vinham eles com mais um projeto”. E não esconde a admiração que sempre teve pela instituição: “Feita por gente empenhada em melhorar as condições de vida dos mais vulneráveis e que se distingue pela inteligência, criatividade e permanente insatisfação”.
Hoje é membro do conselho de curadores da Fundação Afid Diferença e é já nessa qualidade que elogia o seu papel “na humanização da velhice e dos cuidados com as pessoas com deficiência”. Realça também a pedagogia que sempre soube fazer junto da população e até dos vários poderes sobre estas questões: “São pessoas como as da AFID que levam a sociedade a mudar”.
Ele, que depois do que lhe aconteceu, até já esteve do outro lado, a reconquistar dia após dia a autonomia perdida, admite que agora dá mais do que nunca valor ao trabalho de todos os que dedicam a vida ao serviço social. “A verdade é que num momento estamos bem e no seguinte podemos ficar completamente dependentes. Nunca sabemos. Nada como senti-lo na pele para perceber até que ponto precisamos dos outros”.

[ 01 Mai 2019 ]
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